sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um ano

Olho para a folha em branco que agora vai ganhando riscos
Tão vazia igual ao dia em que você me deixou
Quando é que alguém vai fazer um remédio que cure saudade?
Há dias não tenho mais noticias suas
E tenho uma pesada sensação de que de mim você quase não lembra.
E quando eu acredito no nunca mais
O telefone toca
E você me diz triste que só pensou em mim para conversar
Amizade! Acho que é tudo que você consegue sentir por mim
Um pouco que me felicita tanto.
E hoje agora eu me sinto a pessoa mais corajosa do mundo
E por você eu até largaria tudo
Mas aqueles pedaços de vidros jamais voltarão a ser um vaso.

Cíntia Maria

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Escrever

Escrever quando se tem o que dizer ao certo
Ao som de um funk
Ao lado de uma briga.

Enquanto o carnaval acontece na Avenida
O trio percorre a cidade
E todos dançam na festa

Eu com um caderninho penso em ti e só quero escrever
É que as palavras quando vão ficando rimadas e belas
Se parecem muito mais com o seu jeito doce

Nessa confusão toda eu não consigo fazer isso não
E fico aqui escrevendo enquanto o tempo passa
Só por prazer mesmo

É que quando eu escrevo
Eu fico perto de você
Mesmo que seja em pensamentos.

Cíntia Maria
Um corpo peludo para quem jamais eu olharia
E que desconhece meu mundo da Psicologia
Fez-me por cinco dias acreditar que a simplicidade;
O cuidado;
O amor;
A atenção;
O afeto
E a família
São os responsáveis pela verdadeira poesia.

Cíntia Maria

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Retratos


Retratos amarrotados pelo tempo
Contam memórias e liras destoadas
Em vultos e lapsos de memória transcendentes

Desmemorias que me traz odores,
 Lugares e olhares de um alguém qualquer
Que no tempo jaz esquecido

Esses mesmos retratos - que ficaram amarrotados pelo tempo -
São a única coisa que eu tenho para lembrar que você é real
Que me cortam com a dor de um amor irrevogável
Que me rega com lamúrias de saudade e solidão

Bem sabeis, oh filhos da creação
O Jasmim perfuma o machado que o feriu
A rosa espinha a borboleta que a beija...
Mas, douda não se faz, porquanto,
Nem por isso a borboleta deixará de beijá-la,
E o machado livrara o caule do jasmim

Em poemas, liras e devaneios me espanto
Na loucura insana de minha mente
Desconfiguro o futuro
 Recapitulo o passado que nunca existiu
E válvulo-o em um futuro incerto,
Tão certo quanto à incerteza que se a de morrer

Retratos, memórias, canções e poemas... Quem se importa?!
Que me importa memórias perdidas,
Pixels desconfigurados de uma realidade incônscia?
Quantos quadros fizeram-se esquadros
Tornaram-se eira no cinzeiro de uma taverna qualquer?

E o 'eu te amo' que as fotos não podem reproduzir ficaram esquecidos
A falta que ficou é o amarelo daquele velho retrato que hoje é igual ao seu sorriso.

E que diferença faz o jasmim, a rosa ou borboleta
Desse sentimento o que se deve veracidade?
Apenas que tudo foi esquecido...
Como um brinquedo deixado no terreiro,
Como um vintém ao bolso amarrotado ,
Como o passar das horas num dia chuvoso.

E eu me sinto amolgado como esse velho retrato
Que ímpar, tolo ainda ouso guardar.
O que me importa, a solidão é um jogo guardado para um domingo chuvoso,
Bem sabeis, oh filha da terra!



Calígula de Odisséia & Cíntia Maria




domingo, 5 de fevereiro de 2012

Eu’s

São tantos eu’s contido nessa minha persona
Que ora penso ser uma imagem narcisista refletida num espelho
Ora penso ser um pintor que pinta a si mesmo num quadro rodeado por meninas
E chego a pensar que serei imortalizada como uma obra de arte
Porém, mudo de idéia e já me vejo espectadora
O que sou agora é um olhar inquietante sobre mim de um observador que desconhece o saber e me fita com angústia.
E o meu eu se torna agora um olhar invisível da visão
Quantas hipóteses há para me definir? Não sei.
Sou agora um desejo de ser um personagem parte de uma pintura junto à família real
Sou por fim aquela que nunca se pode ter uma resposta precisa.

Cíntia Maria

Abandono

( Nighthawks - Edward Hopper) Há um tempo a poesia me abandonou Talvez na mesma esquina em que me perdi de mim Entre ruas escuras e c...