terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Id.

Ela é muito Id
Não pense Id como abreviatura de idiota 
Não, não se trata disso.
Estou falando em termos freudianos
O mesmo termo que ela me ligou outro dia na madrugada pra saber o significado
Instinto e pulsão
É tudo que ela é.
Eu me pergunto: algum dia ela já pensou antes de tomar uma decisão?
Se algum dia ela pensou que não era o centro do mundo?
Se ficou pensando que não ia machucar ninguém sendo apenas Id?
Sem controle 
Apenas instinto.
O que a interessa, ela diz sim.
Mas ela não se questiona se vai machucar o outro.
Ela me disse que um ex namorado a chamou de neurótica 
e eu na mesma hora ri
Como eu queria que ela fosse
Eu disse que ela era perversa
Mas torci pra ser engano
Acontece que não era.
Lembrei de um texto de Jung, de homem que sonhou com uma cobra
No sonho ele pisou a cobra
E ao acordar tinha muitas dores no pé
Eu fiquei pensando que também pisei em cobras
E olhe que não foi apenas uma
Só que as minhas cobras me levaram o coração
As dores ainda estão aqui
Quando durmo e acordo
E quando a vejo por aí
Sempre com novos amores.
Pensei em procurar um analista
Só que dessa vez nem pensei em beber
Nem em pedir pra voltar
Senti impulsos agressivos
Daqueles que a gente só tem coragem de escrever
Pra se sentir melhor
Nem uma flor eu jogaria nela
Mas confesso que não sinto vontade de vê-la nunca mais
Por ela nem cheguei a sentir amor
Ou paixão, como ela reclamava não ter.
Nem sei que diabo de relacionamento foi o nosso
Talvez um relacionamento Id
Dessa vez como abreviatura de idiota
Assim como o Velho Bukowski
tenho pensado nas mulheres que passaram em minha vida
Assim como as dele, as minhas também me parecem inexistentes. 

Cíntia Maria

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


Preciso

Não preciso de amor
Não preciso de dinheiro
Nem quero ter que entregar
 a minha vida a Deus
Eu só preciso de um sentido
Só preciso de um caminho
Que me faça não desistir de viver
Algo maior que um sonho
Independência talvez
Quem sabe eu precise apenar ser que eu sou
Romper as amarras do inconsciente.
Eu não preciso mais de você
Na verdade acho que nunca precisei
Eu não vou mais me esconder em paixões
                                               vazias...
Em mentiras
nem em medos tolos.
Nunca me senti tão só e infeliz
Porém pela primeira vez eu começo a me sentir,
sem sentir você.
Não preciso mais da sua mão segurando a minha
Eu preciso de alguém que eu demorei tanto pra encontrar
Eu preciso de mim.

Cíntia Maria

sábado, 27 de outubro de 2012


Encontre-me!

Os dias correm apressados
Tenho sentido falta das coisas que perdi;
Das que deixe escapar;
E das que eu pedi que fossem embora.
Perder é uma difícil tarefa
E reconhecer que foi derrotado é de todas a mais pesada
Há momentos que sinto falta de suas crises existenciais,
em outros sinto falta dos seus dedinhos segurando os meus
Da sua doce voz me chamando de Amor...
Agora junto minhas coisas e deixo a casa vazia
Um nó na garganta me faz querer chorar
Queria te pedir que viesses comigo
ou que me encontrasse novamente em frente ao mar
Mas você nem lembra onde eu estou
E eu fico desejando saber aonde você foi
Queria novamente te chamar de Anjo Ferido,
Continuar prometendo que não ia te largar
e ficar imaginando os filhos que teríamos.
Agora tudo está escuro
Se ao menos Deus pudesse me ouvir
Mas sei que Ele também já me abandonou.
O que hoje me resta:
É esperar o tempo passar...

Cíntia Maria

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A!

Um dia nos conhecemos
E a empatia falou por nós
Nos abraçamos e
Nos confidenciamos
Sem precisar de tempo ou qualquer outra coisa 
que garantisse que era verdadeiro.
Ele me tirou as angustias
Deixou meu coração em paz
Levou-me para lugares tão bonitos
Mostrou-me que a vida valia a pena.
Sorrimos de mãos dadas
Entregamos-nos ao sentimento verdadeiro da amizade
Ele me fez chorar mostrando caminhos mais reais
Ele me guiou quando eu estava no escuro.
E um dia a vida nos afastou
E essa era a hora que ele mais precisava de mim
E eu não o acompanhei
Muita gente dizendo tanta coisas
E eu não ouvi mais o sentimento que ele me deu
Fiquei confusa
Joguei nele as raivas dos outros
Nada que ele fizesse tinha para mim um sentido lógico
E enquanto isso ele sofria
E eu não me permitia ver
E assim ficamos cada um em um lado oposto
Mas o que é verdadeiro nunca se apaga
E nos encontramos novamente
Não nos abraçamos como antes
Nem nos confidenciamos
Demos um passo de cada vez
Discutimos
Reclamos 
Julgamos os nossos atos
E depois resolvemos colocar uma pedra na nossa dor
Mas não conseguimos
Voltamos a discutir
Mas a gente ainda se ama
e por isso seguimos tentando
E ele me mostrou que o que é verdadeiro sempre volta
E eu o encontrei quando dessa vez ele precisa de mim
Como eu sempre precisei dele
Permitimos-nos amar
Sermos verdadeiros
E deixar a amizade nos guiar rumo a luz
Hoje nos sentimos felizes um ao lado do outro
Mesmo em silêncio
Ao contemplar um mar
Ao andar na rua
Ao ver o sol se pôr
Hoje sabemos o quanto nos precisamos
E que nada nesse mundo nos afaste mais
Eu o amo
E ele me ama
E dessa vez é pra sempre.

Cíntia Maria

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quem saberá?

Pensei em mandar-lhe flores
ou talvez chocolates
Exaltar minhas qualidades
Ocultar meus defeitos
Fazer poemas 
Serenatas
Dizer o quanto lhe desejo
Ligar umas setenta vezes ao menos
Depois de ter mandado trinta e duas mensagens pro seu celular
Agarrar-te na rua
Chorar em frente do seu trabalho
Ir falar com os seus pais
Pedir aos seus amigos que implore que você volte para mim
Mudar até os meus gostos
Pensei em seguir-te na rua
e perguntar o que faço para te conquistar
Prometer que dar-te-ia o universo
Dentre tantas outras coisas...
Aí acordei
Pensei em mim
E notei que o amor é algo natural
Acontece sem precisar que a gente nada peça
É um olhar num dia qualquer
Um sorriso
É pegar na mão de surpresa
É roubar um beijo
Eu tudo poderia ter
Mas nada agradaria ao seu coração
Posso falar vários idiomas
Ser inteligente
Sensível e legal
Ser tudo que o que você precisa como ouvi de uma amiga sua
Mesmo assim não consegui e nem posso conseguir ser seu desejo
e seu pensamento antes de dormir.
Poderia eu te dar minha vida
E de nada ia ter utilidade
O único consolo dos amantes renegados
É que um dia o arrependimento bata em sua porta
E você me procure
E com o coração já leve e sem dor
Eu diga que não
Ou talvez nada diga
Talvez o silêncio fale por mim
ou novos amores falem
Quem saberá?
Eu saberei?
Meus amigos me dizem que você não é normal
Por me perder assim
Será que não deu tempo de você me conhecer?
Será? Por quê? Como assim?
São tantas interrogações
Que muitas vezes me impediram de dormir
Que hoje tanto faz
Cada um com os seus caminhos
Cada um com suas escolhas
Pessoas vão e vem
São poucas as que ficam
As mais verdadeiras talvez
Quem saberá...

Cíntia Maria

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ponteiros

Tenho perdido a noção das horas
Os ponteiros já não andam
Já nem sei quando é dia ou noite
Perdi os estímulos
Corro das paixões
Já não confio mais em ninguém
Esqueci a idade que tenho
As roupas caem do meu corpo
Já não sinto fome
Passo o tempo estudando gramática
E não consigo entender a semântica
Nem a sintaxe
Confundo-me com a morfologia
E acabo rasgando os cadernos
Rasguei também fotos de um passado recente
Larguei a bebida
Nunca fui fã de cigarros
A fé deixei em uma esquina há anos atrás
O que tenha agora são só lembranças
Do que eu podia ter sido
Do que deixei escapar.
Cíntia Maria

domingo, 29 de julho de 2012



“Quis evitar teus olhos...”

Num dia chato como qualquer outro
Eu avistei os olhos dela
Lindos como o mar
Fixei-os num golpe de ousadia e ela rapidamente os tirou de mim
Mas tão tímidos que eles eram que não resisti e continuei a olhá-los
Ela sorriu e quis saber quem eu era
Naquele dia eu não tinha medo, eu não tinha mais nada a perder...
Um amigo nos notou e fez com que nos falássemos
Ela sorriu embaraçada e querendo me fazer todas as perguntas mais tolas de uma só vez
e eu apenas olhava seus olhos...
Eu poderia conhecê-la numa praia, numa festa...
mas a conheci no dia em que ela trabalhava.
Nesse mundo moderno as tecnologia também servem para encontrar pessoas
E resolvi procurá-la e ela me surpreendeu ao dizer que ficou feliz em saber que a encontrei.
Amor a primeira vista?
Atração?
Sei lá, que me importam os termos, ela me encontrou quando eu não precisava de encontros.
E agora não ouso correr
                               Vamos vida, vai levando a gente...
Permita-nos encontros, permita amores...
Aqueles que encontramos sem esperar, aqueles que encontramos sem data marcada.
Permita               ,
                Permita,
                               Permita....
Eu quero um sorriso ao fim da tarde, quero o brilho loiro dos cabelos dela
Quero por querer
Quero por notar que ela também me nota
Quero porque todos podem ao menos uma tarde, contemplar um céu azul
Assim como ela tem a música tatuada em seu corpo
eu quero tatuar seu olhar no meu.

CCíntia Maria!

Fruta Roxa

 Vejo crianças brincando no mar e lembro de um tempo em que eu não conseguia definir que cor eu tinha     pois eu era da cor que o sol pinta...