quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Deriva

Vidas que acabam cedo

Histórias escondidas sob a cruz

Saudade deixada

Em vidas comuns

Meninos que vendem arrumação das covas.

Pinturas nos túmulos

É dia dos finados

E hoje muitos são lembrados

Obrigações?

Amor?

Devoção?

Perguntas que ficam

Vidas que passam

Sonhos nunca realizados

E o medo de quem fica

Por ter que um dia partir.

Flores tão delicadas

Falam de um sentimento

E aqui sinto o medo

De ter que um dia ir tão cedo

Permito me perder por ruas de ossos

Como ficarão os meus no dia em que eu for embora

Lembrarão de mim no dia 2?

Com flores, velas e orações?

Ou nada disso sentirão?

Um missa na capela ao lado do cemitério

Me chama a atenção

De lá muitos cantam

Com pedidos e emoção.

E agora,

Encontro-me em frente ao cemitério

E sinto um ímpeto de voltar até lá

Não resisto e me encaminho até a entrada.

Dos amigos me perdi

Quando resolvi derivar

Já é tarde e desisto de entrar

É chegada a hora de ir

E aqui ainda não é a minha hora de ficar...


Cíntia Maria 

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