segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Distância

Entre a casa dele e a minha são 4h
Separados pela distância
E mais ainda pelas ideias.
Porém o amor sempre nos coloca em armadilhas
E assim fui tão longe esbarrar nele
Quem diria que eu me encantaria por um jovem de uma pequena cidade
Com planos pra uma revolução.
Enquanto eu espero a hora passar jogando no celular
Como momento de distração.
Nesse mesmo instante ele quer derrubar o poder
E eu nem quero saber sobre o amor
Quero é curtir nas festas
E fazer loucuras.
Julguei que com ele ficaria uma vez
Num momento que considerei como embriaguez
Porém no outro dia eu já estava lá
Com ele a nadar
Para lá e para cá
Com medo das ex...
Dele não desgrudei
E assim os dias foram passando
E por ele fui sendo cativada
E já pensava que sentiria falta no dia de voltar
Um medo apertou meu peito
Será que eu já estava envolvida?
Será que suportaria a partida?
Desejei que aquela viagem não tivesse fim
Mas tive que lhe dizer adeus.
Agora estou aqui na cidade grande
Pensando no jovem revolucionário
Que tanto me deu carinho
Valor e atenção
Que tem um mundo diferente do meu
Mas de qualquer forma penso que daria certo
Penso que poderíamos tentar
E olhe que a culpa nem é da distância
É só do medo de amar.
Mas nego para todos que isso seja verdade
Digo que foi aventura ou coisas da idade
Mas quando vou dormir ainda o tenho em minha lembrança.
Vou tentar esquecer e me nego a dar o braço a torcer
Que ele fique de lá e eu fico daqui
Separados por um medo
Aquele medo de amar
Que não faz ninguém feliz.

Cíntia Maria

domingo, 22 de janeiro de 2012

L e D


A saudade é tanta
Porém coisas banais nos afastaram
E agora o que quero é apenas ouvir a sua voz
E sei que no fundo você também quer me ligar
Usamos as redes sociais para indiretas
Com flechas que atingem o coração...
A vergonha e tanta de te dizer que me ligue
Pois, não aguento mais tamanha solidão
E ficamos os dois nesse joguinho enquanto as horas passam
Eu com medo daqui
Você com dúvidas de lá
Os amigos notam a falta em nossas palavras
E eu aqui tola não quero ousar
O sono agora te chama
E você vai dormir
E eu ficarei aqui com a mesma saudade que escrevi
A primeira linha desse texto.

Cíntia Maria
Recalque

Como agir diante daquilo que não se pode dizer?
Se for dito é ficarei sem roupa
Quanto mais se explica mais se perde
E menos se diz.
Então espero a interpretação que não vai sair dela
Enrolo com palavras e no fim me mostro sem coragem
Como sempre sou.
Não sei por que o medo do julgamento sempre me acompanha
E o medo do recuo
E do não.
E quando as palavras são indizíveis
Os sonhos vêm me perturbar na madrugada
Realizando desejos inconscientes e
Recalcados.
Esse campo do saber que não é sabido pelo sujeito
Resolve ficar aqui e lá
Impedindo a gente de dizer.
O espaço eu encontrei pra falar
Mas por hora deixa assim
Um dia quem sabe eu possa revelar
E o que é recalcado
Não mais vai comigo andar
Será que ela não percebe
Ou quer comigo jogar?
Por hora deixa como está
Só eu estou entendo isso
E não vou a interpretação compartilhar.

Cíntia Maria

Naquele carnaval
Em que você se despediu de mim
Voltei pra avenida com o coração em trapos
Nossa história não podia ter terminado assim
Como um confete que é jogado ao alto.

Cíntia Maria

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Um coração vazio

Depois de muito sofrer por amar
Meu coração agora está vazio
Pretendentes esperam sentados na porta
Quem escolher? Não sei.
Até posso medir as qualidades;
A inteligência;
Como escreve ou os gostos.
Porém para amar é necessário "algo mais"
E é nesse tal de "algo mais" que eu tenho me perdido.
Não me sinto só embora não ame ninguém
Ninguém consegue mais disparar meu velho e pobre coração
Não sei o que dizer para os que me esperam,
Não sei o que fazer
Agora nem quero o tal do apego
Não quero nada que não seja tão mágico como o que um dia eu senti
Não quero ninguém pelo qual eu não morreria
Apenas por amizade ou tesão
Não quero viver de ilusão.
Quero assim como Azevedo
"Só quero. Aquilo sem o que viver não posso."
Não estou exigindo muito
E nem penso na beleza
Quero apenas uma alma que me fale de pureza
Que me recite uma poesia
Que fale das alegrias e que saiba me acompanhar na nostalgia.
Que não ocupe meu tempo com tanta parvoíce
Que eu não precise me provar a cada segundo que existe.
Pois, saberei guardar em mim
E chamar quando for preciso
Sem dependências
Quero apenas pelo amor e carinho
"Sem incomodar os passarinhos"
Um amor doce e leve.
Enquanto não encontro, fico aqui com os meus versos
Saudosos às vezes tão tristes
Que falam tanto de amor e coisas perdidas
Enquanto te espero pra poder te carregar por toda a minha vida.


Cíntia Maria
PdA.

Prometi que pra ela farias versos
Pra relatar todo o calor dessa cidade do sertão
Porém agora estou embriagada
Pelo sol e pela cerveja
Mas ainda penso nela ao olhar o rio
Pela janela desse barco.
Enquanto escuto um forró que nada tem a ver com ela.
Quem dera fosse ela minha companhia agora
E amanhã novamente no recital de poesias que acontecerá na praça.
E nesse calor todo não sei o que conversaríamos 
Talvez sobre o sol ou a lua ou quem sabe o mar que nem aqui está
Ou nada diríamos olhando pro Cavalete e vendo o cristo
Talvez nada pensássemos
Talvez de nada reclamássemos
Eu aqui e ela ao meu lado
Olhando esse mundão que é mais terra do que água
Nem sei se iríamos a banda acompanhar
Mas pode ter certeza
Que em algum lugar iríamos derivar.

Cíntia Maria
Queria ser um poeta


Queria ser um poeta
Pra escrever para ela, verso que ressoa
E ficar em sua cabeça
Como fica o Pessoa

Queria ser um poeta
Pra lhe fazer versinhos de ternura
Sentir seus braços me agarrando
Num palpitar de uma alma pura

Queria ser um poeta
Pra saber quem em frente ao espelho
Feliz!
Ela decora meus versos, vestida de vermelho

Queria ser um poeta
Que a fizesse enrubescer
Pra surpreendê-la com uma frase
Jurando não a esquecer

Queria ser um poeta
Pra embriagado de amor
Parar em sua janela
Fazendo serenatas que a deixassem em tremor

Queria ser um poeta
Só porque sei que ela ama poesias
E ela ia me pedir:
“escreva-me noite e dia.”

Cíntia Maria

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

S.

O mundo é meio sem cor
Quando ela não está
Porque ela é simplesmente
Tão singular

Mas faz querer viver
Apenas para derivar
Como é boa a companhia
Dessa radiante criatura

O boa noite que ela me da
Vem acompanhado com uma poesia
Desconheço tamanha raridade
Nessa confusa cidade

Com tanta gente sem graça
Eu conheci logo uma beldade
O mundo que podia ser bem pior
Porém, nunca estou só

Vou interpretar uma música
E nem vi que o tempo passou
Eu me acostumei muito mal
Com ela ao meu lado

Ela sempre vê além do obvio
O mundo não tem nem cor
Quando ela
Não está ao meu redor.

Eu desconfio que sem ela agora não dá
Vem garota vamos conversar
Deixa o tempo ir
Pois, na sua presença quero estar.

Cíntia Maria

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...