sexta-feira, 8 de julho de 2016

Há morte em todos os corredores que ando
Ouço gritos, vejo dores,
há um acúmulo de sensações que me corroem o corpo
e me transportam para nuvens que são silêncio.            
Um senhor a meia luz diz que sofro de ansiedades
Mas o que anseio?
Meu corpo ganha medidas, me envergonho no espelho
Sofro a ausência dos que não foram,
Choro sem lágrimas as dores que não são minhas.
Mas onde há vida para que eu possa poetizar o vazio que sinto
                                     O sorriso da praça;
O beijo dos namorados e
   crianças que brincam na chuva?
Onde há luz para que eu possa crer que vidas ressurgem?
Onde há verdades para que possa crer na amizade?
Me perco em rotinas traçadas para mim que nunca fiz,
em sonhos engavetados que nem eram meus.
Ouço barulho dos que choram fraturas,
                         Faturas,
                                       arrependimentos.
Tudo parece distante...
... não vejo afetos
Não há braços.
Mas ao longe escuto um canto de
uma Voz Doce que embala a Esperança.
Sento para ouvir
e passo a crer que a vida ainda não me engoliu
Não penso mais na cotação do dólar
A luz ressurge nos corredores mesmo quando a morte decidiu passar
                               Me resgatando do vazio;
                trazendo a pulsão da vida...
 um Anjo me sorri.


Cíntia Maria

‘ela


Ela tem perturbado meus dias,
  meus sonhos
Minhas fantasias e imaginações
Não sei ao certo se são os olhos
A cintura
                ou a mão que delicadamente ela coloca na barriga ao sorrir.
Talvez Neruda quisesse ser penteador dos seus cabelos;
Drummond fizesse dela Um Mito;
 Machado não encontraria nela a simulação
E Luís da Silva não sofreria de angústias ao enamorá-la.
Ela é poesia
Encanto
   e arte.
Falta-me tempo para celebrar todas as suas qualidades
Não sei ao certo se é a voz;
                               o sorriso;
         ou a doçura nos gestos.
Terna
  e-terna!
Não há nela o que eu não ame
Desde que me sorriu os passos são leves
Passei a conhecer as regras do amar, quando só conhecia as do escrever
Deixei o amor entrar
O canto...
...virou encanto
Sou menos que um poeta precário
 e não sei ao certo se ela me vê
quando discursa sobre termos de uma Ciência que desconheço
Junta os prefixos e sufixos com a mesma naturalidade que dança
E fala de mistérios, política
me bombardeia
                Eu que não compreendo
Contento-me em vê-la
 e até me apavoro...
    mas volto a ser a luz


que ela graciosamente acendeu.


Cíntia Maria

Ela é o amor personificado em gestos          afagos e carícias  e enquanto ela dorme o cd da Mallu toca na tv  Tempero com amor o seu j...