domingo, 4 de dezembro de 2016

Muitas vezes somos vítimas de violência (física e verbal), traições, desrespeito, falta de consideração, desamor, ausência de cuidado e - incrivelmente - nos sentimos culpados. Chegamos a pensar que se não tivéssemos dito tal coisa a pessoa teria feito diferente, se tivessemos ido a um lugar diferente, se tivessemos insistido em algo ou não, se não estivéssemos usando tal roupa. Sentimos peso e culpa, quando na verdade deveríamos nos envergonhar pelo outro que não nos respeita, que nos viola, que não nos considera, que não pensa nas ações que podem nos afetar. Existe muito falso amor travestido de violência, egoísmo, arrogância e maldade. Ainda que isso nos afete por um tempo, jamais devemos deixar que essas pessoas roubem nossa paz, nossa serenidade, nosso verdadeiro "eu". Quem ama respeita, quem ama não sente prazer em ver suas lágrimas (só se for de emoção), quem ama pensa em você antes de agir com atitudes infantis, desrespeitosas e sente orgulho de você. Quem ama rompe com você antes de fazer qualquer atitude que leve ao seu sofrimento e não tenta te culpar pelos próprios erros se colocando como vítima do que não merece ouvir quando se merece ouvir. Mas que toda lição que a vida nos prega sirva sempre de exemplo (ainda que doloroso) de maturidade, de conhecimento e de evolução mental ou espiritual. O verdadeiro amor sempre se mostra. O bem sempre encontrará o bem. O seu coração sempre se conectará a corações semelhantes. Que possamos viver para além das relações líquidas as relações verdadeiras e reais. As relações que não se descartam e que não são movidas pelo egocentrismo. A vida sempre terá um buraco na frente e invariavelmente cairemos nele. É importante levantar, cuidar dos ferimentos e seguir. 

[Cíntia Maria]

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Há morte em todos os corredores que ando
Ouço gritos, vejo dores,
há um acúmulo de sensações que me corroem o corpo
e me transportam para nuvens que são silêncio.            
Um senhor a meia luz diz que sofro de ansiedades
Mas o que anseio?
Meu corpo ganha medidas, me envergonho no espelho
Sofro a ausência dos que não foram,
Choro sem lágrimas as dores que não são minhas.
Mas onde há vida para que eu possa poetizar o vazio que sinto
                                     O sorriso da praça;
O beijo dos namorados e
   crianças que brincam na chuva?
Onde há luz para que eu possa crer que vidas ressurgem?
Onde há verdades para que possa crer na amizade?
Me perco em rotinas traçadas para mim que nunca fiz,
em sonhos engavetados que nem eram meus.
Ouço barulho dos que choram fraturas,
                         Faturas,
                                       arrependimentos.
Tudo parece distante...
... não vejo afetos
Não há braços.
Mas ao longe escuto um canto de
uma Voz Doce que embala a Esperança.
Sento para ouvir
e passo a crer que a vida ainda não me engoliu
Não penso mais na cotação do dólar
A luz ressurge nos corredores mesmo quando a morte decidiu passar
                               Me resgatando do vazio;
                trazendo a pulsão da vida...
 um Anjo me sorri.


Cíntia Maria

‘ela


Ela tem perturbado meus dias,
  meus sonhos
Minhas fantasias e imaginações
Não sei ao certo se são os olhos
A cintura
                ou a mão que delicadamente ela coloca na barriga ao sorrir.
Talvez Neruda quisesse ser penteador dos seus cabelos;
Drummond fizesse dela Um Mito;
 Machado não encontraria nela a simulação
E Luís da Silva não sofreria de angústias ao enamorá-la.
Ela é poesia
Encanto
   e arte.
Falta-me tempo para celebrar todas as suas qualidades
Não sei ao certo se é a voz;
                               o sorriso;
         ou a doçura nos gestos.
Terna
  e-terna!
Não há nela o que eu não ame
Desde que me sorriu os passos são leves
Passei a conhecer as regras do amar, quando só conhecia as do escrever
Deixei o amor entrar
O canto...
...virou encanto
Sou menos que um poeta precário
 e não sei ao certo se ela me vê
quando discursa sobre termos de uma Ciência que desconheço
Junta os prefixos e sufixos com a mesma naturalidade que dança
E fala de mistérios, política
me bombardeia
                Eu que não compreendo
Contento-me em vê-la
 e até me apavoro...
    mas volto a ser a luz


que ela graciosamente acendeu.


Cíntia Maria

Ela é o amor personificado em gestos          afagos e carícias  e enquanto ela dorme o cd da Mallu toca na tv  Tempero com amor o seu j...