terça-feira, 29 de setembro de 2015

Arrependimentos

Será meio tarde pra
largar tudo e escrever versos nas ruas
Para putas e bêbados,
Com aquele cabelo moicano que nunca cortei?
A esquerda e não a direita
Cheguei na idade dos arrependimentos
Comecei bloqueando pessoas
datas
lembranças,
emoções...
Daquele aceno dado a moça na praça
Do violão que me deram e já não me servia
De ter saído naquele dia chuvoso
Do falso amigo que chamei de irmão,
A esquerda e não a direita
 A vida me deu lições que demorei a entender.
Arrependimentos me doem a alma
Me apertam e me perguntam como teria sido se ao contrario fosse
A esquerda e não a direita
Me arrependo de não ter sido eu
Cheguei a cogitar se os meus pais se arrependem de mim
e se outros mais se arrependem de mim
se a Existência se arrepende de mim
Dobro a rua da solidão
Com marcas no joelhos e dores no pensamento
A esquerda e não a direita
Me arrependo de ter nascido,
                Como se minha fosse a escolha
Das frases que troquei com o moço idiota
                               Quando esperávamos o trem para Lugar Nenhum 
A esquerda e não a direita
Privação,
                Frustração,
Castração.
Como um velho que vê os cabelos mudando de cor,
       perco o brilho e os sensações.
Vago na lama dos becos
Procurando sorrisos que não estão lá
Nem esquerda e nem direita
Sigo sozinha sem deus... nem esperança.


Cíntia Maria 

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...