sexta-feira, 27 de março de 2015

Eu poderia


Eu poderia não me perder num desejo de ser um só
temer
e recuar...
Não viver o que de mais belo a vida me deu
Poderia não me perder no seu sorriso
No seu olhar
Nas curvas do seu corpo
Nos seus caminhos
 e nos aviões que partem
Poderia ter pequenos planos
Amores frágeis
e um coração inconstante...
Porém, há em mim algo mais forte que uma fé
Mais seguro que uma religião qualquer
E ainda mais bonito que um céu estrelado
Nasce em mim um Shakespeare ou um Neruda
Um Chico Buarque que toca enquanto você me beija
Há poesias nas esquinas cinzas
Há alegrias nas crianças
Uma vida que ganha cor
Há leveza nos barcos que balançam na praia enquanto a gente se olha
Doces devaneios
Aspirações futuras
Há sabores jamais experimentados
Há futuro no presente
Eu poderia chamar de sorte,
               merecimento,
destino
               ou até mesmo de sonho...
                Mas chamo-te Vida!
Para além de corpos que se tocam
Fazemos amor com as palavras
E em qualquer lugar que você estiver comigo haverá um céu azul
Isso seria de todo suficiente para que eu me perca
Pois me perdendo eu me encontrei
Em mistérios e luzes
Em balões que flutuam no ar
Em chuvas doces que molham plantações
Em imagens e sons
Encontrei-me num abraço
e onde era dor, fez-se cura
Onde havia medo
Nasceu a flor.


Cíntia Maria

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