segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Há dias!

Há dias em que chorar não resolve,
Nem ligar pro analista,
Pedir colo da mãe
ou brigar com a namorada.
Há dias em que não adianta beber,
Nem discutir com os vizinhos,
Colocar música depressiva
ou acabar na balada.
Reclamar da sorte
Chamar por Deus
Nem pensar na morte.
Há dias em que ninguém interessa
Que tudo está errado,
De nada serve ler Drummond
Ou ligar pro melhor amigo.
A angústia aparece sem nome,
sem forma e sem cheiro
Não é ninguém e é todo mundo
Os pensamentos não se completam
A respiração é ofegante.
Há dias em que os sonhos são pesadelos
Que você não sabe aonde ir
que o pijama se converte em uniforme
e a febre queima os lábios.
Há dias em que o violão não tem som
e o silencio é ensurdecedor.
de nada adianta ver o mar,
a gente não se acompanha...
Há dias em que de nada serve ser quem somos
e que tudo é uma farsa
de nada serve que peguem em sua mão
ou prometam que não vão te largar
Há dias em que a gente se perde
mesmo sem nunca ter se encontrado
Há dias que não são dias...
que a vontade é vagar sem rumo
nem nome e sem volta.


[Cíntia Maria]

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