domingo, 29 de setembro de 2013

Foi melhor que ver o mar


E eu, pela rua cantava
a música do Venturini
Que nada tinha a ver com o meu timbre mezzo-contralto.
Que importância isso tinha?
Sapateava sozinha
Coisa de apaixonados
Mas tive medo do que sentia
Meu coração parecia ter tomado uma coca-cola
Remexia-se ácido
Eu estava tão feliz que queria acordar meu melhor amigo
Ou como naquela canção do Baleiro
Bater na porta do delegado
Nem precisaria de um estetoscópio
Pois meu coração fazia-se ouvir de longe
Beijei sua testa
Beijei seus olhos
Beijei o seu sorriso
Enquanto você se encaixava em meu ombro
Cheirei seus cabelos, dezenas de vezes
No fim da noite eu tive medo de dormir
E de descobrir que estive sonhando.



Cíntia Maria
Escutei os sinos tocando
Não era missa do padre Augusto
Nem a morte do seu José
Eram seus lábios encostando-se aos meus

Cíntia Maria 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A chuva

A chuva cai molhando o chão da cidade
E eu, pelo caminho, com a cabeça baixa
 não evito chutar os sapos,
não evito chutar a vida.
O frio consome o meu corpo
que arde em 40 graus de febre
Tenho tido sonhos de angústia que não me permitem manter a calma ao acordar
Tenho tido impulsos agressivos
Tudo está errado, justamente porque está certo.
Como o autor da minha cabeceira ‘mal sei como conduzir-me na vida, com esse mal-estar a fazer-me pregas na alma’
O cinza do dia se parece com o meu semblante
Sigo em busca de sentido
Que não encontro na rua cheia de lama
Nem nos meus sapatos molhados
A cabeça dói...
Há dias em que penso em dormir, mas nem o cansaço me faz apagar
Volto a pensar nos sonhos
E já não quero dormir
Tenho medo
Os pensamentos não se completam
O frio aumenta
O sono não vem
Os alimentos não me interessam
Isso é perceptível no meu corpo magro
Passo a vida perdendo a vida
Em jogos que não me acrescentam
Não sei mais quando é dia ou noite
Tenho os ciclos alterados
Os planos pra depois dessa chuva, foram engavetados
O meu sorriso se amarelou
Como um livro velho.
Queria viver e não apenas existir
A chuva aumenta
                               me castiga enquanto ainda caminho pela rua
Sinto dores na coluna que não sei quando começaram
Não sei a data de hoje
A chuva me fere
e a dor persiste
Penso na morte
A chuva tem molhado a minha vida
E não sei onde me secar
Chego a casa
Deito ainda com água no corpo
Desejo não mais acordar
Mas o interminável destino
Segue incerto
Pesando sobre mim.


[Cíntia Maria]

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...