terça-feira, 7 de agosto de 2012


Viver!

Aos 12 anos quando muitos ainda me consideravam uma menina, resolvi lutar por um amor. Lutei e por tanto lutar consegui que meu pai aceitasse um namoro com um carinha sete anos mais velho que eu. Ele com o coração ainda pertencente à outra me fazia sofrer e me esnobava. Com quatro meses de namoro ele me deixou, queria beber, farrear, curtir e não queria de forma alguma compromisso.
De tudo fiz para que ele me notasse e nesse meio tempo acabei metendo os pés pelas mãos, após cinco meses de sofrimento e esperando que ele voltasse aos meus braços reatamos e desde então não teríamos mais nenhum fim, nesse momento você está pensando que essa será mais uma história de amor com um final feliz, não se engane caro leitor.
Aos poucos consegui convencê-lo da vida errada que ele levava, incentivando-o a estudar. Ele foi conquistando vitórias e eu sempre estive ao seu lado, planejávamos nosso casamento com a pressão que recebíamos dos nossos pais, mas programamos tudo e eu sempre matava e morria pelo nosso amor. Não foi fácil suportar críticas falsas que recebi, mas me mantive fiel ao nosso relacionamento e aos nossos desejos.
Enfim chegou o dia do nosso casamento e no primeiro ano fui relativamente feliz, mas como uma nuvem negra que encobre um céu azul, tudo mudou e a tempestade invadiu nossa casa, passei a ter como maior amiga a solidão, ele me deixava só e triste, e sua maior companheira era a bebida, não compartilhávamos mais o amor. Tudo era motivo de briga e pelos amigos ele me trocou e só me restava chorar no silêncio da nossa casa vazia.
Porém aquela que não é valorizada um dia muda suas atitudes e num golpe de ousadia mudei o rumo da nossa história que passou a ter um final diferente dos contos de fadas e que tanto é esperando por todas as meninas. Tem sido difícil me acostumar a viver com meus pais, mas tem sido melhor, não adianta me prender a sentimentos que não me levam pra frente, hoje não sinto peso e nenhuma espécie de culpa, caminhamos a este lugar, não vale a pena chorar, não vale não. Fizemos o que podíamos é preciso dizer um adeus. A quem devemos culpar? A quem poderemos recorrer? Não existe mais ninguém, nem nada que possa interferir e num passe de mágicas nos devolver a alegria daqueles primeiros anos.
Sabe aquela música “que sejas bem feliz como eu te fiz”? Então é o que te desejo. E por falar em felicidade, sinto que ela resolveu me procurar, sinto-me mais leve, mais livre e quero enfim seguir aquele clichê viver a vida, após passar por tudo me tornei mais forte, hoje preciso amar alguém que valorize minhas atitudes, ter ao meu lado a família de alguém que, sobretudo não me acuse, o que eu mereço é amar.


Cíntia Maria

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