segunda-feira, 28 de maio de 2012



M.

Alto, charmoso e inteligente
Isso me bastou para que eu fixasse o olhar nele
Ousado e divertido
Rapidamente me sinto a vontade em sua presença
Mas esse carinha já estava marcado por uma colega minha
E hoje estou saindo com outros objetivos
Olho pra ele e tento não encará-lo
Quando noto que ele faz o mesmo
Ao seu lado está sentando o homem que eu digo que desejei pra mim
Que prometeu ser meu
Mas o carinha ousado me pega pra dançar
Cola seu corpo ao meu
Eu quero beijá-lo ele também quer
Por que o corpo fala por nós?
Por que perder uma certeza por uma aventura?
Mesmo assim continuo querendo
E o álcool já me impede de pensar
Minha colega que parecia querê-lo um dia antes
Nem o nota mais
Ainda pensa num passado recente
Eu ainda olho pra ele
E já sem conter os desejos fúteis de uma noite de festa
Ele me segura firme o  rosto e me beija
Gelo e esquento ao mesmo tempo
E quero sumir
Já é tarde o mal está feito
A ressaca será moral
Mas parece que minha colega resolve me salvar
Agarra-se a ele e o beija como eu gostaria
Não sinto raiva de nenhum dos dois
Fico feliz em vê-los
Mas ainda o desejo ao longe
Como vingança o homem que prometeu ser meu já está nos braços de outra
Ele nos viu
Notou nosso desejo
Que poderei fazer se a carne falou mais alto?
Minha colega continua a beijá-lo
E nos intervalos dançamos livres e leves
E com os desejos guardados no bolso
Ele parece bem com ela
E agora eu me arrependo
Não do beijo
Apenas de não tê-lo feito escondido
O desejo se despediu quando o dia amanheceu
Volto para casa
Com lágrimas nos olhos
Perdi os dois
Não quero mais nenhum
Enquanto isso oscilo entre vítima e algoz
E confesso querer amizade do carinha ousado e sorridente
No dia seguinte já falo com ele sobre coisas banais
Quando irei vê-lo não sei
Fico sabendo dos  seus planos futuro
E será muito bom que encha a vida da minha colega de sol
E que arranque o sorriso que ela tanto precisa voltar a ter
Quando o peso da razão pesou sobre mim
Desejo apagar aquele dia
Minha colega confessa não querê-lo
Mas será difícil escapar de um advogado do diabo
Quem é ele?
Por que me despertou tantas loucuras?
Por hora deixe estar
Vamos seguindo que a vida pede passagem
Tudo é uma escolha e eu sempre faço a mais idiota.
Perdi um sentimento que levei meses para conquistar
Por causa de um sorriso bobo
Não sei quão errada fui
Não sei porque não pude controlar
Quando a bebida é muita
O superego não funciona
E somos como crianças levadas pela música
E no dia seguinte a responsabilidade nos chama
Nos culpa
E sentimos a dor maior do que ferir
É ferir os sentimentos dos outros
Esperarei aquele que eu conquistei voltar
Mas se ele não voltar
Tenho muitos na vida ainda pra conquistar
E o conquistador ousado vou deixando passar
Que ele ao menos sirva de um passeio para minha colega
Que parece não querer se apaixonar.
Cíntia Maria


Há tantas coisas a serem ditas
Que não tem sentido
Sentimentos que se comprometem por atos
Um desejo absurdo de não ser o que se é.
O que dizer de um erro de mão dupla?
Voltar no tempo não é possível querido meu
Você não quer falar
Você quer fugir
Como um menino que com medo de ser visto
Esconde-se atrás de um caminhão.
Seus desejos desconheço
Perder você não será o meu fim.
Eu aqui penso em você
Não mais como um barco que eu havia prendido ao cais
Mas como um carro dirigido por um bêbado
Vou esperar a chuva passar
Deitada aqui na rede
Lendo o Pessoa com lágrimas nos olhos
Não de amor, nem de saudade
Apenas de arrependimento
Mas já sem dor. 


Cíntia Maria

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Quem a ver sorrindo assim não desconfia
A tempestade íntima que lhe acompanha
Nos dias, nas horas do rosto sóbrio
Vive a tácita luta ausente dos errantes.
Desejo louco de ir sempre adiante
Pra frente, sem rumo, sem meta, sem ver,
Pra frente, sem enxergar o tão distante.
Viver de cada pedaço alcançado,
Deixada de lado a suada aflição.
Ler os seus versos escritos nas noites,
Deixa os autores largados no chão,
Mede distancia a medir o seu tempo
Intimamente uma ausência a ofusca
Reprovando cada passo desequilibrado
E de poeta em poeta vai colecionando angústias.



Wagner Oliveira
Para mim.

Aulas...

Discussões que não cessam ao longo de uma vida
Pensamentos muitas vezes tolos girando sem gravidade
Estarei eu entre homens mortos?
Seres apáticos, sem contexto
Vagando sem nenhum embasamento
Todos pensam conhecer a verdade Universal
Usando como artimanha desmerecer o outro
Uns que não sabem desenhar uma árvore pensam entender mais de arte que Michelangelo
Mas o que de fato nos habilita a reconhecer uma coisa como arte?
Quem está mais certo ou menos certo?
Volta e meia caímos na mesma questão:
É ou não é?
A palavra é dada a todos
Fiquem livres falem suas besteiras
Qual o verdadeiro sentido da arte, da vida, da poesia?
Qual a legitimidade de tudo isso?
E em toda essa interpretação existe algo que é comum a todos
Mas isso por hora me escapa
Quero sair daqui e derivar
E que arte continue me cativando
Com todo o seu refinamento.
Cíntia Maria

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Príncipe

Ele será apenas meu
e eu serei apenas dele
Eis o que ele me propõe como único contrato da nossa relação.
Amar e ser amado
Nada pode mais querer um ser humano
Olhar nos olhos e traduzir um sentimento
Sentir que os dias se arrastam nos momentos de ausência
E correm quando estamos de mãos entrelaçadas
Ganhei da vida o que eu nem ousei pedir
E agora parece que tudo saiu do branco e ganhou cor
Profundissimamente feliz
Não vou nomear o momento
Ele é meu
E eu sou dele
E isso basta-nos para começo de história.

Cíntia Maria

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...