terça-feira, 29 de novembro de 2011

E.

Ele me oferece:
Carinho;
Beijos;
Amor;
Cuidado e atenção.
Diz que quer ficar comigo,
Diz que vai me estender a mão.
Olhinhos da cor do mar,
Ele só quer de mim cuidar.
Ele se preocupa todas as noites com a hora que vou deitar,
Deseja que eu durma bem,
Quem meus problemas vão se acalmar.
Ele só quer o meu amor,
Quer me tirar a dor e a solidão.
Vejo que a intenção é boa,
Justa e verdadeira.
Porém, esse pobre coraçãozinho poeta,
De tanto que já amou e sofreu,
Encontra-se saturado.
Esse coração tão bobo
Não quer mais arriscar.
Esse coração ferido
Em trapos desaprendeu a amar.
Não mereço os encantos teus
Só mereço a solidão
Só mereço escuridão
Não mereço nem beijos nem abraços
Não mereço ser fonte de cuidados
Nada merece aquela 
Que só amou errado.

Cíntia Maria

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Libertação?


Libertar-me-ei de ti
Ó melódicas rimas
E estruturadas palavras.
Livrar-me-ei de vós
Pensamentos parnasianos
Que surgem tão estruturados,
Que tem um som tão insuportável
Beirando o tóxico.
Sufocarei agora a imagem que tenho de ti
Musa dos meus sonhos coloridos
Esquecerei que contigo tudo era reto
E certo.
Até as idéias mais bobas
E os pensamentos alienados.
O barulho do vento
Hoje sem você parece um furacão,
Não consigo organizar as frases
Nem interpretar os sons,
Não consigo decodificar as palavras
Nem sei qual é a estação que estou
Está tudo tão emaranhado
Tudo mais enrolado que os caracóis dos meus cabelos
A poesia que escrevo agora
É uma associação livre,
As coisas me vêm aparecendo sem nenhuma lógica prescrita
Agora paro e olhos os pássaros
Eles voam unidos e era assim que deviríamos estar
Ó céus por que você me deixou?
Porque só a poesia ficou?
Sem rima
Desconexa
Sem som
Sem dom
Só compostas com versos de saudades.

Cíntia Maria

domingo, 27 de novembro de 2011

Psicologia!






São tantos transtornos
De personalidades em crise
E me vem um sono agora
De me encontrar nesse limite


A clínica tenta preencher um vazio
Ampliando a escuta
Oferecendo acolhimento
Pra amenizar o sofrimento


Os comportamentos agressivos só aumentam
Pra tentar cortar o sofrimento
Pessoas que marcam o corpo
Por não encontrar a ponte de retorno


Um mundo onde a perversão supera a neurose
Vivemos tentando ser fortes
Para restabelecer o lugar de sujeitos
Para não ter que aceitar a morte tão cedo


Vamos investir nos primeiros anos
Não vamos formar suicidas
Vamos cuidar dos pequenos
E amar sem retraídas


Vamos conversar com um amigo
Vamos emprestar o ouvido
Falar de amor e declamar poesia
Vamos esquecer a rebeldia


Vamos encontrar um sonho
Vamos encarar os medos
Vem!
Vem me contar um segredo


Só falando a gente se liberta
Vem!
Vem agora
À porta já está aberta!


Cíntia Maria
Binah!


Abraão temeu perdê-la, pois sua beleza era muito grande,
A característica que mais marcou a sua Sara foi a formosura.
A Sara que vou falar agora também é muito bela
Tímida e singela
A mais bonita
Dentre as flores amarelas.
Em face de tal encanto os anjos de calam...
Sua simplicidade exala
A todos que a rodeiam.
A Sara de Abraão tinha beleza, brilho e criatividade,
O que não muda nada nessa Sara que vos falo.
Com ela posso partilhar um pensamento;
Uma poesia;
Uma música;
Um simples pensamento
Ou grandes momentos de alegria
Até as loucuras e rebeldias.
Só não posso alardear que por ela tenho uma ternura e grandes sentimentos
Por isso eu falo assim como Mário Quintana deixando em paz os passarinhos.
Não consigo ver um elo entre a Sara de Abraão e essa que aqui menciono é característica de submissão.
Mas a Sara de Abraão foi uma mulher de personalidade vigora
Em nada se diferencia dessa.
Será que seus pais sabiam que esse nome carregaria tanta coisa bela?
Na Bíblia Sara recebeu mais do que apenas uma observação passageira
E aqui ela recebe todos os dias a atenção que merece
Todos querem sua companhia, seu carinho e seu olhar.
Todos querem com ela estar.
Eu me perguntava: o que tem essa menina tão discreta
Tão misteriosa e ao mesmo tempo tão singela?
Não foi difícil descobrir
Ela é muito boa pra sentir;
Pra cativar;
Pra conversar;
Sua inteligência seduziu a todos e hoje queremos com ela ficar.
E ela parecia tão distante
Hoje ao mesmo tempo tão perto
Eu sinto que nela tem algo de muito bom...
Hoje ela me desperta inspiração
Não de versos tristes como costumo escrever
E sim de coisas singelas como nela posso perceber.
Se essas duas Sara’s vivessem na mesma época
Não seria tão complicado pra nossa contemporânea
Pois, a humildade ela carrega nos pés
Numa simples sandália de couro
Em passos que traça que valem bem mais que o ouro.
Acredito que ela me peça pra ficar de longe
Sem tocá-la;
Sem “invadi-la’’;
Tenho medo de pensar no que ela vai pensar ao ler essas palavras
Mesmo assim eu ouso dizer:
Sara uma existência que faz uma enorme diferença.

Cíntia Maria

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dor!



Quando a morte ainda é viva
Quando a dor não é esquecida
Falar ainda dói
E uma tristeza me corrói

Se paro e penso em você
Sinto-me num mar de dor
E o sal que sinto agora
É das lágrimas indo embora

Você ainda é:
Um pensamento que me tira o sono;
Uma tristeza que me oprime o peito;
Um medo de falar que me rouba o jeito.

É tão difícil fazer o luto
Mas se rompêssemos de uma vez
Acho que não ia ser melhor
Também não sei. Talvez!

Hoje um amor roubou seu coração
E eu que pensei que seria apenas,
uma ilusão passageira.
Vejo você suspirar e sair do chão.

Conto minha vida pelos dias que te perdi
E depois disso muitas vezes te vi
Em quase todas chorei
Mas em muitas dela sorri

Quando um sentimento se acaba
Pode dar vazão a outro.
Às vezes ainda me sinto bem
Por ter ganhado uma amizade

Dizem que o tempo resolve tudo
Mas ele não está me ajudando
Ó céus!
Será que estou pirando?

Escutar uma música 30 vezes
Porque me lembra você, é normal?
Mas o som do João Gilberto
Nunca me fez mal.

Me perder no som do violão
Quando não penso mais em nada
Por um segundo esqueço de você
Nos sustenidos e bemóis do meu ser.

E agora João Gilberto me diz
Que “a tristeza é senhora”
E eu nem de longe ouso desmentir
Agora vou tentar aprender a viver sem ti

Agora tenho que ir
Porque vou cantar pra mandar a tristeza embora
E hoje não quero
“A lágrima clara sobre a pele escura.”

Cíntia Maria
Bobo!



Quando fecho os olhos
lembro dos olhos dele
olhando os meus,
tão firme e tão forte.
Porém, ele sempre inventa
de falar em Deus.


Bem que ele podia
ser apenas meu?
Não! Eu não ia suportar
é muito gás,
muita energia
eu não ia aguentar.


Ele cruzou meu caminho
me trazendo satisfação
as vezes penso:
Será que arrumei
mais uma preocupação?


Ele é tão bobo,
tão doce
tímido
e singelo.
Vive me fazendo perguntas,
aparentemente tão simples.


Fico horas com ele a conversar
Nem vejo que o tempo voa
Nem é paixão,
nem amor
nem um desejo tão forte assim
Mas gosto dele perto de mim.


Gosto da companhia
gosto da amizade
gosto mais da voz
porque é raridade
adoro os braços e o peito acolhedor
espero que ele não deixe saudades quando se for.

Cíntia Maria

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Deriva

Vidas que acabam cedo

Histórias escondidas sob a cruz

Saudade deixada

Em vidas comuns

Meninos que vendem arrumação das covas.

Pinturas nos túmulos

É dia dos finados

E hoje muitos são lembrados

Obrigações?

Amor?

Devoção?

Perguntas que ficam

Vidas que passam

Sonhos nunca realizados

E o medo de quem fica

Por ter que um dia partir.

Flores tão delicadas

Falam de um sentimento

E aqui sinto o medo

De ter que um dia ir tão cedo

Permito me perder por ruas de ossos

Como ficarão os meus no dia em que eu for embora

Lembrarão de mim no dia 2?

Com flores, velas e orações?

Ou nada disso sentirão?

Um missa na capela ao lado do cemitério

Me chama a atenção

De lá muitos cantam

Com pedidos e emoção.

E agora,

Encontro-me em frente ao cemitério

E sinto um ímpeto de voltar até lá

Não resisto e me encaminho até a entrada.

Dos amigos me perdi

Quando resolvi derivar

Já é tarde e desisto de entrar

É chegada a hora de ir

E aqui ainda não é a minha hora de ficar...


Cíntia Maria 

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...