quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CARTA DE DESPEDIDA

A vida recomeça a cada dia e nesse eterno recomeço esquecemos de valorizar aqueles que nos amam, perdemos tempo com coisas banais, com pessoas que nada nos acrescentam e deixamos passar o que é de essencial. Gastamos energia em odiar, em reclamar, em criticar e não paramos um só momento para cuidar.
Todos os dias na vida deveria ser como se fossemos morrer amanhã, uma despedida, pois, caso não se concretize agradeceremos sabe-se lá a quem pela oportunidade de recomeçar. Talvez isso soe meio religioso, mas posso lhe dizer com segurança que não preciso acreditar em Deus para viver no amor.
A nossa única garantia é a morte e amanhã talvez eu não acorde e me pergunto: o que eu deixarei? A vida é uma eterna construção, de tudo o que eu posso deixar, quero apenas deixar aos meus o amor.
    Uma história é feita de erros e alguns acertos, carregada de sentimentos, de paixões e mais ainda de desilusões.
Hoje tenho medo de dormir e não acordar amanhã, sinto talvez a morte tão perto a me olhar a me desejar. Pudéssemos ser imortais, pudéssemos morrer jamais, eu não quero de forma alguma ir agora, preciso ficar, trilhar, cair, caminhar e seguir.
Preciso um filho deixar, uma geração continuar, eu ainda tenho muita gente pra amar, muitas metas a realizar.
Preciso dizer que amo uma estrelinha que me ensinou o que é amizade, uma estrelinha que no meu céu só faz brilhar e sei que quando eu me for por mim ela vai rezar, talvez eu vá em busca de anjos, mas muitos eu vou deixar por aqui, embora sem asas eles já me guiam na estrada. Verei minha triste irmã como diz o poeta; fechar meus olhos, me banharei em lágrimas de meus pais, deixarei amigos que por um certo tempo se sentirão perdidos.
Preciso dizer que eu sou rica de toda a graça, pois, muitos são os que me acompanham nessa longa jornada.
E se amanhã eu não acordar posso dizer que tive o maior dos dons o dom de amar.

Cíntia Maria

Um comentário:

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...