sábado, 16 de julho de 2011

Ah esse homem!

Aquele homem tão meu, de cabelos escassos, pele clara bronzeada pelo sol, que me olhava por baixo com medo que alguém  nos descobrisse, olhava-me ao mesmo tempo com desejo e posse como quem me agarrava em seus pensamentos.
Ali em minha frente a dedilhar o meu violão trocando os acordes e errando as letras, como a fazer uma serenata secreta, o som de sua voz me enfeitiçava e cheia de encanto eu não conseguia acompanhá-lo na melodia.
Enquanto ele cantava, eu ficava a anotar cada detalhe do seu experiente rosto, seus olhos tão claros a resplandecer, sua boca fina e pequena e seu sorriso faceiro todo acompanhado de cinismo e a sua gargalhadas ao lembrar de nossas brigas e ciúmes confessando inconscientemente adorar tudo aquilo.
Olhar aquele homem que é tão meu e do mundo me doía tanto, pois o nosso amor nos fazia aventureiros infelizes, quando nos encontramos nas ruas e nossos corpos clamam um ao outro, ficamos inertes sem saber o que fazer com as mãos e nos contentamos com um simples boa noite ou um toque no ombro, falar qualquer coisa sem sentido pra sabermos que nos vimos, para poder escutar aquela voz tão marcante, ligar no fim da noite quando a cidade já adormeceu e ninguém mais poderá ser testemunha do nosso amor.
         Passar uma mensagem que exprima toda a nossa vontade que só será saciada quando tivermos histórias boas o suficiente pra despistar os demais.
Aquele homem tão maduro deixou-se encantar por uma jovem menina, aquele homem experiente que nunca terá o consentimento dos meus pais, contenta-se em me ter ás vezes, em me desejar em segredo, em não passear de mãos dadas nas ruas que vale tanto quando se está amando, segura a vontade de me agarrar quando me ver e se torna novamente adolescente  quando me paquera as escondidas e arranja uma desculpa para passar em minha porta.
E o meu homem que me quer ter em sua casa e sonha comigo estar em todos os momentos, torna-se de novo um menino sem saber que atitudes tomar. E todo dia assim aumenta nosso segredo. Até quando suportaremos essa dor? E se chegar o dia em que nos agarraremos no meio da rua, liberando todas as nossas pulsões? E se tudo acabar no segredo que começou?
E de longe eu olho o homem que não quer deixar de ser meu, que me abraça como nenhum outro o faz, que me arranca suspiros, que em enlouquece de desejos, que beija tão fundo que atinge a minha alma, que quando me olha vê até meus pensamentos, que é firme e doce e me faz sentir mulher, que me deixa sem palavras e que todo dia me conquista mais.
Então fica comigo mesmo que o mundo nos descubra. Diremos que nada é maior que o amor e juntos somos uma força maior.
Meu Desejo, meu amigo fique sempre comigo e eu me farei abrigo onde teu peito jamais conhecerá a solidão. E quando a coragem vier nos visitar contaremos ao mundo nossa história de amor e seremos o incentivo de muitos namorados. E caminharemos abraçados no meio da rua e dizendo a lua e emoção de estar apaixonados.

Cíntia Maria
 

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