sábado, 5 de fevereiro de 2011

A minha Ana O.

A nossa história é lixo e luto;
Uma invenção mal sucedida no campo do imaginário;
Algo que perdeu o valor simbólico;
Uma noite mal dormida;
Um sonho interrompido pelo pesadelo;
Uma criança que nasceu antes das 28 semanas de gestação;
Uma carta sem remetente;
Um pensamento onírico latente que jamais será manifesto;
O arquétipo da mentira;
Um pai que não conhece a língua do filho;
Um desejo recalcado.
E nenhuma serotonina poderia reverter esse efeito, 
Pois você não ativa mais meu sistema límbico,
Meu hipotálamo parece inerte e só a amígdala parece trabalhar perfeitamente,
Você já não é mais parte do meu léxico.
E você tropeçou nas palavras e confessou seus erros... involuntariamente.
Uma vez me ensinaram que o desejo se sustenta na falta, se já não sinto a sua ausência então entenda...
E agora que não sou mais capaz de simbolizar, por fim eu passo ao ato,
Pois não ficarei condicionada a ignorância dos meus desejos.
E como Freud me disse que aquele que não conhece sua história tende a repeti-la, pois então a minha já me é sabida.
Não chegaremos a entrar numa disputa egóica;
Nem aumentará a minha neurose;
Porque nada existe além da fala, já não somos mais capazes de nos comunicarmos.
E a verdade é a verdade do sujeito, então, eu fico com a minha.
Não! Não chegue a histeria, só te peço que saia do imaginário realizando assim o objetivo da nossa grande Psicanálise.
Hoje significo o que sinto, pois só passando por algo é que se pode saber o seu real sentimento.
Meu Bem não fiques triste Freud já havia te dito que a felicidade não estava nos planos da criação. Por que ainda acreditavas?
Não vamos subverter a lei. Não posso recalcar o afeto que nutri por ti, mas a representação dele eu posso e como não sou psicótica construo de mim, mas nessa imagem você não está ao meu lado.
Não serie mais seu objeto de gozo e como não estou na praia os tigres não me ameaçam.
E hoje produzo a verdade que sou capaz de aceitar.
Nada mais tenho a te dizer visto que as palavras me faltam...

Cíntia Maria

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