domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal, não mais!


Está decidido
Ano que vem não vou comemorar o Natal
Vou dormir cedinho
Deixando em paz os meus vizinhos

Não quero ceia
Nem prece
Vou pedir ao Papai Noel que sempre aparece
Que esqueça que hoje é Natal

Não quero família reunida
Nem mesa enfeitada
Não quero criança correndo
Nem pra lá e pra cá...

Não quero amigo secreto
Nem chocolate
Não quero falsa felicidade
Na noite do menino da manjedoura

Nada de luzes piscando
Nada de gente chorando
Nem missa do Galo
Também não quero peru

Cansei dessa tradição
E não vou repetir
Pra fugir dela se precisar
Eu vou dormir

Gente se abraçando não quero ver
Fingindo amores eu não quero saber
Nem morrendo de dores
Nem falsos sabores em cima da mesa

Milhões de mensagens não quero ler
Que digam o mesmo que canso de saber
Que Jesus pensa em mim
Por favor não ouse mentir

Cansei dessa tradição
E vou fugir dela
Não mais a repetir
Já que é preciso vou dormir

E quando eu acordar
Tudo terá passado
Papai Noel não veio?
Não faz diferença nenhuma

Cansei da sentença
Dessa noite celebrar
E agora já deu a hora
E não vou ninguém abraçar

Da licença vou dormir
Quando eu acordar
As luzes estarão apagadas
Nada de presépios

Daqui a um ano
Volto pra essa cruz
Até que descubra
Um lugar longe da festa do tal Menino Jesus.

Cíntia Maria

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Saudade!
Saudade
Sentimento que dói
Que perfura e o peito
E faz o coração sangrar

Há dias não sei dele
Por onde andará?
O que tem feito?
Será que ainda me guarda no peito?

Seu destino não é meu
Mas sinto tanto em não o ter
Bate uma tristeza
Queria ao menos te ver

Se ao menos você voltar
E disser quem em mim por um momento pensou
Que penou por não estar aqui
E que comigo ainda vai estar

Serei mais feliz do que os pássaros que cantam
Que uma criança a correr na chuva
E meus olhos brilharão novamente
Por te ter presente.

Cíntia Maria

domingo, 18 de dezembro de 2011

Só quero você

Estou cansada dessa vida errante
De rotas desconexas
Quero poder ter uma vida certa
Com alguém que me liberte de mim

Quero poder não pensar em erros
E que eu possa deitar a cabeça no travesseiro
Sem magoas
E sem medos

Quero aquele sorriso tímido
E aquele olhar desconfiado
Que no fundo me adora em segredo
E que me conhece, embora negue.

Quero você!
Que não vai achar loucura meus segredos
Que não vai me pedir pra mudar de rumo
E que vai comigo derivar pelo mundo

Vamos escutar a mesma música
Vamos ler a mesma poesia
E no fim da noite lerei uma frase sua
Que me fará passar a madrugada alegre

Quero você!
Porque até quando se cala me faz bem
Quando sorri me alegra a alma
E quando anda é como se desfilasse

Então é só disso que preciso
Da sua companhia pra me tirar a rebeldia
Do seu sorriso pra iluminar a minha vida escura
Do jeitinho tão reservado

De tudo seu que eu ainda não conheço
E de tudo que já vejo
De tudo que você não tem
E de tudo que eu posso de dar

E desse mundo inteiro
Hoje só quero você
Se não puder então
Fico no mesmo caminho

Errando e aprendendo um pouco
Esquivando-me e apanhando as vezes
Porque no fundo eu te quero tanto
E sei que você pode querer também.

Cíntia Maria

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

L.

É chegado o dia e ela vai embora
Vejo a tristeza nas palavras do meu amigo que agora quase chora
E tanto lamenta
Ó Deus se você existe não leve essa mulher
Que trouxe tanta luz e um sorriso mais lindo que eu podia nesse homem ver
Não deixe que as lágrimas lhe façam companhia...
O afeto dele me comove tanto
Que a vontade de chorar agora também é minha.
Eu sei que eles moram em continentes diferentes
Que estão separados por uma língua
Que importância tem isso diante de tanta sintonia?
Que diferença faz se não existe nessa cidade uma ponte entre eles...
É muito difícil se despedir de um amor
É um buraco que fica no peito
Um vazio impreenchível
É um medo terrível do nunca mais
E hoje o meu amigo nada pode fazer.
O que pode deixou materializado em palavras poetizadas
Em músicas doces a todos os ouvidos
Em conversar e carinhos
Em passeios e descobertas
Em jogos de palavras
Em sorrisos e afetos a beira do mar
Ela vai embora amanhã
E como ele ficará agora?
Acredito que esperará a volta
E guardara todos os sentimentos
Quando ela regressar do outro lado do mundo
Ele estará vestindo um belo sorriso
E com os braços abertos
Oferecendo o mesmo aconchego.
Se nada se pode fazer
Então meu amigo vamos esperar
Dizem que tudo o que importante volta
Então não custa nada acreditar
Que um dia seu amor regressará
Cíntia Maria

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Heart!


Espera-se tanto tempo e enfim mata-se um desejo
Mas será o tempo é o tempero das coisas?
Sei não...
Hoje está tudo tão confuso
Enfim realizei...
Porém muitas coisas perturbam minha cabeça
Será que foi simultâneo desejo?
Obrigação?
Ele fez tudo isso pra mostrar que é garanhão?
Alguém que finge me amar pra me trazer satisfação?
Acordo e tanta coisa ainda nos meus pensamentos
Quando Machado de Assis disse “que a posse é o tumulo do desejo’’
 Será que ele mentiu?
Um desejo consumado que tem gosto de insatisfação?
Quando se deseja se sonha e se imagina
Quando se consuma no que se vai pensar?
Sei não...
Há muito tempo desejava aquele homem
Tão atleta;
Tão simpático;
Tão fiel;
Companheiro;
Porém meu amigo...
Ele jurava me desejar
Sei não...
Nunca o vi fazer nada pra comigo estar
Hoje acordo ainda inebriada
Por aquele homem fui tocada
Ele é tão bom...
Melhor do que eu esperava,
Maravilhoso não seria exagero...
Mas será que cometi um desmantelo?
E se amanhã essa realização se tornar um pesadelo?
Se ele disser que somos amigos
Se ele não quiser meu abrigo.
Riscos, riscos e riscos...
Sempre o persegui
Porém ele que temia tanta bobagem
Resolveu comigo ficar
Sinto-me tão feliz
Pro notar que ele me deseja
O tempo temperou nosso afeto
Hoje eu exijo que ele fique perto
Estou feliz demais
As duvidas com o tempo vou deixando pra trás
E hoje vou conquistando aquele nobre rapaz
Que encanta a todos
Sem fazer nenhum esforço
Ele agora é minha companhia
É a minha doce alegria
Com ele estou em festa.
Hoje...
Amanha não me interessa
Realizei o desejo do meu Coração.

Cíntia Maria
Quando eu morrer...



Quero choro e vela
Quero terço na mão
Quero gente sentindo dor
E missa na capela.
Só não deixe que ela
Chegue perto do meu caixão.
Quero flores
Quero todos os meus falsos amores
Morrendo de lamentação.
Quero gente morrendo de arrependimento
Por ter me tido nas mãos
E no fim ter perdido.
Quero no sétimo dia
Uma missa bem bonita...
Quero gente cantando
Uma Ave Maria
Pra encomendar minha alma
Lá pro céu
Pra bem pertinho de Deus...
Quero gente pedindo pra eu ficar
E uma música ao fundo pra embalar a minha ida
Pode ser Chico Buarque ou Debussy
Pode ser qualquer coisa que faça alguém pensar em mim...
Quero saber que fui amada
E deixar a certeza do amor no coração dos que amei
E no fim de tudo
Quero um anjo de cabelos dourados
Levando-me pela mão
Aquietando meu coração
E me dizendo que é chegada à hora...
Que quem fica sente e esquece logo
E a gente que vai
Espera de lá ser lembrado.

Cíntia Maria

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Contrato

Fiz um contrato
no qual
Não estava incluso
Sentimento

Fiz um pacto
Com o prazer
Deixando-me levar pelo
Momento

Quando alguém vem
Comigo falar
Estou em outro mundo
Mas nego que estou a
Amar

Quando ele me toca
Todo meu ser estremece
Fico louca de prazer
Por notar que ele percebe

Nosso contrato de "amizade"
Não inclui ciúmes
Muito menos
Saudade

Sinto um delírio
Por notar
Nesse homem...
Raridade

Um sorriso tão gostoso
Abraço acolhedor
O beijo é o melhor do mundo...
Ele me rouba o ar em questão de segundos

Fecho os olhos e penso nele
Não acredito que ninguém faça melhor
Estou descumprindo o contrato
E todos têm notado ao meu redor

As horas vão passando
Os dias também
Sinto falta do carinho que não dou a mais
Ninguém

Quando o encontro, porém,
esqueço da sanidade
Ó Deus me leve esse homem
Pra não enfraquecer as minhas
Bases

Acredito que é atração
que isso deva passar
mas não fique muito perto
pra eu não te desejar. 
Cíntia Maria

sábado, 3 de dezembro de 2011

Desejo reprimido


Ignorar um desejo ou uma forma de viver melhor em sociedade?
Abrir mão de um desejo é uma forma de infelicidade
Ou fazer isso pra não suportar a realidade?
Hoje é o dia do meu casamento,
E tanta coisa estou negando.
Porém, é o dia que todos meus familiares exalam de felicidade.
Se eles soubessem o que passam em meu coração,
Eu ainda ia sofrer alguma repreensão?
Hoje é o dia do meu casamento,
E ninguém desconfia da minha infelicidade.
Todos estão felizes,
Vou ter uma família comum,
Vou dar netos a minha mãe,
E ninguém de mim vai suspeitar.
Hoje talvez seja realmente uma forma de felicidade,
Fazer feliz os meus,
Mas minhas lágrimas que descem agora ninguém duvida que é de realização.
Deixo que pensem... quero mexer nisso não,
Deixa as lágrimas correrem
Deixa o barco girar
O que tiver der ser será.
Dizem que quando a gente pensa a gente muda,
E hoje quero pensar não,
Meu pai está tão feliz...
E eu?
Hoje vou pensar não,
É o dia do meu casamento,
Deixe isso pra lá e vamos cortar o bolo,
Ah Moço hoje é o meu casamento,
E lá o céu está um azul tão bonito,
Tem banda e tem tanta gente,
Eu quero brincar de iludir uma mulher.
Até quando vou suportar?
Deixemos pra lá Moço já te disse hoje é meu casamento...
Tive que escolher esta mulher, ninguém ia querer que eu ficasse com aquele rapaz...
Posso não Seu Moço,
Tenho coragem não de viver minha vontade,
Hoje está tudo tão bonito,
E todo mundo me espera pra cortar o bolo...
É dia de alegria pra eles,
É o meu casamento...
Fiz uma escolha e ignorei aquela outra, aquela proibida sabe?
Hoje tem choro de alegria,
Eu vou cantar e vou celebrar com ela, pois, ela me ama tanto,
Ela me entregou todo o seu encanto.
Vou embora Seu Moço
Todo mundo ainda me espera pra comemorar meu casamento.
Que Deus me perdoe pelos pecados que eu já cometi
Pelas traições e tentações dessa vida
Agora começo uma nova vida a partir do dia do meu casamento...
Se vou resistir? A isso eu não sei...

Cíntia Maria

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amante!


Ela é minha amante
Mas, passo o dia pensando nela
Viajo;
Divago.
É um desejo constante de querer encontrá-la
Morro de ciúmes das relações sociais que ela constrói
Dos abraços e agarrados
Que ela tem com o namorado.
O que posso exigir se sou casado?
Espero que todos durmam para falar com ela
Arrisco-me tanto e ela demora com a resposta
Quase sempre fria e indiferente
Às vezes ela me fala que tem medo de por mim se apaixonar
Mas eu sei que é tudo mentira
Ela passa dias sem de mim lembrar
Ela força um carinho
Uma atenção
São tantas explicações
Pra no fim de besta me chamar
Ela se contem pra não me dar um fora
Então me trata com carinho
Com palavras doces...
Fico confuso, pois nela via tanta segurança
Pensava que ela tinha uma vida tão liberal
Tão errada
Mas ela é mais sensível do que eu
É tem sido a cada dia mais leal
Só não a mim...
Eu sou intenso
É ela é que é tão cautelosa.
Tão diferentes e tão iguais...
Sinto agora uma dor
Ela esta fugindo de mim
Ela não quer mais o meu calor
Cadê a segurança que eu vi um dia?
Ainda guardo a pobre esperança
De um dia ela me amar
De com ela novamente ficar
Agora vai ficar difícil de me desligar de um pensamento
Não consigo me concentrar na aula
Minha amante não me sai da cabeça
E o pior de tudo é que se fosse só isso
Ela não vai mais me querer
Ela me acha um tolo
Ela não quer meu aconchego
Nem meu afeto
Ela só quer os outros
Ela vive em um universo nada parecido com o meu
Comigo foi só um desejo antigo
Um sonho de menina
Ela me reencontrou
Mato o desejou
E me usou
E eu me encantei
Agora me sinto inútil
Com ela não posso ficar
Não posso largar o mundo que sou dependente
Tenho uma família
Tenho uma estrutura
Agora só me resta esperar
Que as coisas na vida dela se acalmem
Que ela volte a em mim pensar
Que tudo se resolva
Que ela venha e me encontre
Porque aqui eu fico o dia me interrogando:
Onde eu errei?
Que ela não quer me amar.

Cíntia Maria

terça-feira, 29 de novembro de 2011

E.

Ele me oferece:
Carinho;
Beijos;
Amor;
Cuidado e atenção.
Diz que quer ficar comigo,
Diz que vai me estender a mão.
Olhinhos da cor do mar,
Ele só quer de mim cuidar.
Ele se preocupa todas as noites com a hora que vou deitar,
Deseja que eu durma bem,
Quem meus problemas vão se acalmar.
Ele só quer o meu amor,
Quer me tirar a dor e a solidão.
Vejo que a intenção é boa,
Justa e verdadeira.
Porém, esse pobre coraçãozinho poeta,
De tanto que já amou e sofreu,
Encontra-se saturado.
Esse coração tão bobo
Não quer mais arriscar.
Esse coração ferido
Em trapos desaprendeu a amar.
Não mereço os encantos teus
Só mereço a solidão
Só mereço escuridão
Não mereço nem beijos nem abraços
Não mereço ser fonte de cuidados
Nada merece aquela 
Que só amou errado.

Cíntia Maria

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Libertação?


Libertar-me-ei de ti
Ó melódicas rimas
E estruturadas palavras.
Livrar-me-ei de vós
Pensamentos parnasianos
Que surgem tão estruturados,
Que tem um som tão insuportável
Beirando o tóxico.
Sufocarei agora a imagem que tenho de ti
Musa dos meus sonhos coloridos
Esquecerei que contigo tudo era reto
E certo.
Até as idéias mais bobas
E os pensamentos alienados.
O barulho do vento
Hoje sem você parece um furacão,
Não consigo organizar as frases
Nem interpretar os sons,
Não consigo decodificar as palavras
Nem sei qual é a estação que estou
Está tudo tão emaranhado
Tudo mais enrolado que os caracóis dos meus cabelos
A poesia que escrevo agora
É uma associação livre,
As coisas me vêm aparecendo sem nenhuma lógica prescrita
Agora paro e olhos os pássaros
Eles voam unidos e era assim que deviríamos estar
Ó céus por que você me deixou?
Porque só a poesia ficou?
Sem rima
Desconexa
Sem som
Sem dom
Só compostas com versos de saudades.

Cíntia Maria

domingo, 27 de novembro de 2011

Psicologia!






São tantos transtornos
De personalidades em crise
E me vem um sono agora
De me encontrar nesse limite


A clínica tenta preencher um vazio
Ampliando a escuta
Oferecendo acolhimento
Pra amenizar o sofrimento


Os comportamentos agressivos só aumentam
Pra tentar cortar o sofrimento
Pessoas que marcam o corpo
Por não encontrar a ponte de retorno


Um mundo onde a perversão supera a neurose
Vivemos tentando ser fortes
Para restabelecer o lugar de sujeitos
Para não ter que aceitar a morte tão cedo


Vamos investir nos primeiros anos
Não vamos formar suicidas
Vamos cuidar dos pequenos
E amar sem retraídas


Vamos conversar com um amigo
Vamos emprestar o ouvido
Falar de amor e declamar poesia
Vamos esquecer a rebeldia


Vamos encontrar um sonho
Vamos encarar os medos
Vem!
Vem me contar um segredo


Só falando a gente se liberta
Vem!
Vem agora
À porta já está aberta!


Cíntia Maria
Binah!


Abraão temeu perdê-la, pois sua beleza era muito grande,
A característica que mais marcou a sua Sara foi a formosura.
A Sara que vou falar agora também é muito bela
Tímida e singela
A mais bonita
Dentre as flores amarelas.
Em face de tal encanto os anjos de calam...
Sua simplicidade exala
A todos que a rodeiam.
A Sara de Abraão tinha beleza, brilho e criatividade,
O que não muda nada nessa Sara que vos falo.
Com ela posso partilhar um pensamento;
Uma poesia;
Uma música;
Um simples pensamento
Ou grandes momentos de alegria
Até as loucuras e rebeldias.
Só não posso alardear que por ela tenho uma ternura e grandes sentimentos
Por isso eu falo assim como Mário Quintana deixando em paz os passarinhos.
Não consigo ver um elo entre a Sara de Abraão e essa que aqui menciono é característica de submissão.
Mas a Sara de Abraão foi uma mulher de personalidade vigora
Em nada se diferencia dessa.
Será que seus pais sabiam que esse nome carregaria tanta coisa bela?
Na Bíblia Sara recebeu mais do que apenas uma observação passageira
E aqui ela recebe todos os dias a atenção que merece
Todos querem sua companhia, seu carinho e seu olhar.
Todos querem com ela estar.
Eu me perguntava: o que tem essa menina tão discreta
Tão misteriosa e ao mesmo tempo tão singela?
Não foi difícil descobrir
Ela é muito boa pra sentir;
Pra cativar;
Pra conversar;
Sua inteligência seduziu a todos e hoje queremos com ela ficar.
E ela parecia tão distante
Hoje ao mesmo tempo tão perto
Eu sinto que nela tem algo de muito bom...
Hoje ela me desperta inspiração
Não de versos tristes como costumo escrever
E sim de coisas singelas como nela posso perceber.
Se essas duas Sara’s vivessem na mesma época
Não seria tão complicado pra nossa contemporânea
Pois, a humildade ela carrega nos pés
Numa simples sandália de couro
Em passos que traça que valem bem mais que o ouro.
Acredito que ela me peça pra ficar de longe
Sem tocá-la;
Sem “invadi-la’’;
Tenho medo de pensar no que ela vai pensar ao ler essas palavras
Mesmo assim eu ouso dizer:
Sara uma existência que faz uma enorme diferença.

Cíntia Maria

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dor!



Quando a morte ainda é viva
Quando a dor não é esquecida
Falar ainda dói
E uma tristeza me corrói

Se paro e penso em você
Sinto-me num mar de dor
E o sal que sinto agora
É das lágrimas indo embora

Você ainda é:
Um pensamento que me tira o sono;
Uma tristeza que me oprime o peito;
Um medo de falar que me rouba o jeito.

É tão difícil fazer o luto
Mas se rompêssemos de uma vez
Acho que não ia ser melhor
Também não sei. Talvez!

Hoje um amor roubou seu coração
E eu que pensei que seria apenas,
uma ilusão passageira.
Vejo você suspirar e sair do chão.

Conto minha vida pelos dias que te perdi
E depois disso muitas vezes te vi
Em quase todas chorei
Mas em muitas dela sorri

Quando um sentimento se acaba
Pode dar vazão a outro.
Às vezes ainda me sinto bem
Por ter ganhado uma amizade

Dizem que o tempo resolve tudo
Mas ele não está me ajudando
Ó céus!
Será que estou pirando?

Escutar uma música 30 vezes
Porque me lembra você, é normal?
Mas o som do João Gilberto
Nunca me fez mal.

Me perder no som do violão
Quando não penso mais em nada
Por um segundo esqueço de você
Nos sustenidos e bemóis do meu ser.

E agora João Gilberto me diz
Que “a tristeza é senhora”
E eu nem de longe ouso desmentir
Agora vou tentar aprender a viver sem ti

Agora tenho que ir
Porque vou cantar pra mandar a tristeza embora
E hoje não quero
“A lágrima clara sobre a pele escura.”

Cíntia Maria
Bobo!



Quando fecho os olhos
lembro dos olhos dele
olhando os meus,
tão firme e tão forte.
Porém, ele sempre inventa
de falar em Deus.


Bem que ele podia
ser apenas meu?
Não! Eu não ia suportar
é muito gás,
muita energia
eu não ia aguentar.


Ele cruzou meu caminho
me trazendo satisfação
as vezes penso:
Será que arrumei
mais uma preocupação?


Ele é tão bobo,
tão doce
tímido
e singelo.
Vive me fazendo perguntas,
aparentemente tão simples.


Fico horas com ele a conversar
Nem vejo que o tempo voa
Nem é paixão,
nem amor
nem um desejo tão forte assim
Mas gosto dele perto de mim.


Gosto da companhia
gosto da amizade
gosto mais da voz
porque é raridade
adoro os braços e o peito acolhedor
espero que ele não deixe saudades quando se for.

Cíntia Maria

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Deriva

Vidas que acabam cedo

Histórias escondidas sob a cruz

Saudade deixada

Em vidas comuns

Meninos que vendem arrumação das covas.

Pinturas nos túmulos

É dia dos finados

E hoje muitos são lembrados

Obrigações?

Amor?

Devoção?

Perguntas que ficam

Vidas que passam

Sonhos nunca realizados

E o medo de quem fica

Por ter que um dia partir.

Flores tão delicadas

Falam de um sentimento

E aqui sinto o medo

De ter que um dia ir tão cedo

Permito me perder por ruas de ossos

Como ficarão os meus no dia em que eu for embora

Lembrarão de mim no dia 2?

Com flores, velas e orações?

Ou nada disso sentirão?

Um missa na capela ao lado do cemitério

Me chama a atenção

De lá muitos cantam

Com pedidos e emoção.

E agora,

Encontro-me em frente ao cemitério

E sinto um ímpeto de voltar até lá

Não resisto e me encaminho até a entrada.

Dos amigos me perdi

Quando resolvi derivar

Já é tarde e desisto de entrar

É chegada a hora de ir

E aqui ainda não é a minha hora de ficar...


Cíntia Maria 

Com o esteto no pescoço   saindo do plantão Ela lê meus poemas Não estão na televisão     nem no rádio Não sou grande poeta Nem mesmo ...